quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Caminhada da Virada

 

Atendi à convocação da juventude lulista e fui participar da Caminhada da Virada, em Porto Alegre, no último dia 13. Cheguei por volta das 18 horas na Esquina Democrática e encontrei o lugar tomado pelos apoiadores do Lula. Predomínio de gente jovem, claro, com tambores e batucada. Muita animação.

Início da Caminhada, na Esquina Democrática.

Não sei quando os instrumentos musicais passaram a fazer parte das manifestações políticas e sempre sou obrigado a fazer essa observação. Afinal, no meu tempo de maior animação em relação à política (nas décadas de 1970 e 80) isso não acontecia e creio que foi uma invenção dos 2000. Na época do “Fora Collor”, por exemplo, não lembro desse acompanhamento musical...

A manifestação de ontem tinha um caráter de frente ampla – afinal a hora é de congregar todos aqueles que percebem o perigo que a extrema-direita representa para o campo democrático –, mas o primeiro panfleto que recebi era criticando o governo de conciliação petista. Um panfleto da OCI (Organização Comunista Internacionalista) explícito quanto ao seu posicionamento antifascista – “Fora Bolsonaro e os bolsonaristas” –, propondo um governo dos trabalhadores e alertando: “Nenhuma confiança em Lula e sua política de conciliação burguesa”. Aproveitei para comprar o jornalzinho da organização e, quando a moça (a militante era uma menina delicadíssima) me entregou o informativo, disse: “Obrigada, camarada”.[i]

Me senti nas nuvens com o agradecimento. Afinal, ter 71 anos e ser acolhido como “camarada” por uma integrante de organização revolucionária não é pouca coisa. Deu um sabor especial ao meu ingresso na multidão festiva que “ocupava as ruas para garantir a vitória de Lula nas urnas”. Avistei o carro de som no qual a Manuela e Edgar Pretto estavam (era o início da passeata) e segui o pessoal. Subi a Borges em direção à Riachuelo e depois segui na direção do Gasômetro. Uma passeata como eu nunca tinha visto (e isto que já participei de várias – seria interessante cronicar a respeito). O movimento deu a volta em frente a Usina e enveredou pela Rua dos Andradas até a Praça da Alfândega. Mais de duas horas de caminhada. Muitas palavras de ordem gritadas e cantadas. Rostos com muita alegria, mas também alguma preocupação.

No trajeto, me chamou atenção aqueles que tinham dificuldades em caminhar. Inclusive três ou quadro de bengala. Quando estava esperando o aplicativo para voltar para casa (na frente do Santander Cultural), ajudei um homem a entrar no carro. Ele estava na faixa dos 50 anos, carregava uma bandeira, e não dobrava os joelhos com facilidade. Eu segurei a porta do automóvel até ele se acomodar no banco.

Não voltei para casa confiante em relação à vitória do Lula, mas contente por estar entre os 50 mil que estiveram nas ruas, em Porto Alegre, sonhando com a possibilidade da virada.

Na Rua Riachuelo. Ao fundo, o Palácio da Justiça.



[i] O Comunismo. 08/out/2026, nº 20. Publicação da OCI, “organização revolucionária que combate pela reconstrução da 4ª Internacional, fundada sob a direção de Leon Trotsky”.

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