Atendi à convocação da juventude lulista e fui participar
da Caminhada da Virada, em Porto Alegre, no último dia 13. Cheguei por volta
das 18 horas na Esquina Democrática e encontrei o lugar tomado pelos apoiadores
do Lula. Predomínio de gente jovem, claro, com tambores e batucada. Muita animação.
| Início da Caminhada, na Esquina Democrática. |
Não sei quando os instrumentos musicais passaram a
fazer parte das manifestações políticas e sempre sou obrigado a fazer essa observação.
Afinal, no meu tempo de maior animação em relação à política (nas décadas de
1970 e 80) isso não acontecia e creio que foi uma invenção dos 2000. Na época
do “Fora Collor”, por exemplo, não lembro desse acompanhamento musical...
A manifestação de ontem tinha um caráter de frente
ampla – afinal a hora é de congregar todos aqueles que percebem o perigo que a
extrema-direita representa para o campo democrático –, mas o primeiro panfleto
que recebi era criticando o governo de conciliação petista. Um panfleto da OCI (Organização
Comunista Internacionalista) explícito quanto ao seu posicionamento antifascista
– “Fora Bolsonaro e os bolsonaristas” –, propondo um governo dos trabalhadores
e alertando: “Nenhuma confiança em Lula e sua política de conciliação burguesa”.
Aproveitei para comprar o jornalzinho da organização e, quando a moça (a
militante era uma menina delicadíssima) me entregou o informativo, disse: “Obrigada,
camarada”.[i]
Me senti nas nuvens com o agradecimento. Afinal, ter
71 anos e ser acolhido como “camarada” por uma integrante de organização revolucionária não é
pouca coisa. Deu um sabor especial ao meu ingresso na multidão festiva que “ocupava
as ruas para garantir a vitória de Lula nas urnas”. Avistei o carro de som no
qual a Manuela e Edgar Pretto estavam (era o início da passeata) e segui o
pessoal. Subi a Borges em direção à Riachuelo e depois segui na direção do
Gasômetro. Uma passeata como eu nunca tinha visto (e isto que já participei de
várias – seria interessante cronicar a respeito). O movimento deu a volta em
frente a Usina e enveredou pela Rua dos Andradas até a Praça da Alfândega. Mais
de duas horas de caminhada. Muitas palavras de ordem gritadas e cantadas. Rostos
com muita alegria, mas também alguma preocupação.
No trajeto, me chamou atenção aqueles que tinham
dificuldades em caminhar. Inclusive três ou quadro de bengala. Quando estava
esperando o aplicativo para voltar para casa (na frente do Santander Cultural),
ajudei um homem a entrar no carro. Ele estava na faixa dos 50 anos, carregava
uma bandeira, e não dobrava os joelhos com facilidade. Eu segurei a porta do automóvel
até ele se acomodar no banco.
Não voltei para casa confiante em relação à vitória
do Lula, mas contente por estar entre os 50 mil que estiveram
nas ruas, em Porto Alegre, sonhando com a possibilidade da virada.
| Na Rua Riachuelo. Ao fundo, o Palácio da Justiça. |
[i] O
Comunismo. 08/out/2026, nº 20. Publicação da OCI, “organização
revolucionária que combate pela reconstrução da 4ª Internacional, fundada sob a
direção de Leon Trotsky”.
