terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Museu de Roskilde

 

         Em setembro de 2022 eu fui a Turquia e um sobrinho, que mora em Copenhague, me sugeriu uma esticada até lá. “Copenhague não fica muito longe de Istambul”, ele me disse (sem dúvida fica muito mais próxima do que de qualquer cidade brasileira) e resolvi encarar. Valeu a pena. Meu sobrinho preparou um roteiro impecável e foi uma semana de tirar o fôlego. Um dos locais escolhidos foi a cidade de Roskilde, a meia hora de trem de Copenhague, num rico dia de outono, de céu azul e folhas vermelhas na vegetação. Cidadezinha impecável, de cinema, isto é, daquelas que a gente só conhece nos filmes, devido à organização, limpeza e beleza.

Roskilde foi um núcleo urbano importante no final da Era Viking (séculos VIII a XI), centro religioso e político, e depois sede do primeiro bispado cristão da Dinamarca, local de uma grandiosa catedral gótica, construída entre os séculos XII e XIII, local de enterramento de reis e rainhas desde o século XV. O túmulo da rainha Margarida II, monarca da Dinamarca naquele ano, já estava pronto, esperando o seu corpo. A rainha renunciou em favor do filho no final de 2023 e, pelo que tudo indica, o túmulo ainda está lá, vazio, esperando a sua proprietária.

Rua pitoresca de Roskilde, que me pareceu cenário de conto de Anderson.

Naquela manhã nosso passeio começou pelas ruas pitorescas da cidade (provavelmente com o mesmo feitio que tinham no século XIX – ou pelo menos foi assim que enxerguei – como se constituíssem o cenário dos contos de Anderson) e continuou pelo interior Catedral, em especial pelas capelas com os túmulos dos antigos monarcas (alguns de um luxo estonteante – pra que tudo aquilo? Que sacrifício, o do povo pobre! Que satisfação, a dos plebeus visitantes!). E na sequência seguimos por um parque meticulosamente cuidado que dava no museu dos barcos vikings: o Museu de Roskilde.

Capela no interior da Catedral de Roskilde, com sepulturas luxuosas
de monarcas dinamarqueses.

Por volta do ano 1000, cinco navios vikings foram afundados no canal que liga a cidade de Roskilde ao mar, com o propósito de impossibilitar a chegada de embarcações inimigas. O local se tornara um centro político importante do recém unificado reino da Dinamarca, havia perigo de ataques e as naus submersas tiveram o propósito de defesa. Quase mil anos depois (em 1962) elas foram descobertas, desenterradas e abrigadas num vasto museu, na beira do canal de onde costumavam ancorar e partir.

Museus das embarcações vikings.

Um museu para ficar vagando e sonhando, imaginando como eram as viagens daqueles navegadores ousados, que cruzaram o Mar do Norte, estabeleceram “colônias” na Inglaterra e na França (neste último país, na atual Normandia), contornaram a Península Ibérica e entraram Mediterrâneo adentro, assim como chegaram às cidades de Constantinopla e Bagdá (conforme indicado num mapa dependurado na parede do museu).

Roteiros das expedições vikings.

Há réplicas em tamanho real dos antigos navios, tanto dentro como fora do museu, nos quais é possível entrar e sentir/imaginar o que devia ser viajar/navegar naquelas pequenas embarcações... Há capacetes para vestir e pousar de guerreiro, uma experiência para fazer a criança que ainda habita alguns de nós pular de alegria.